Cantador de Chula

esse canto é meu.

Arquivo de Samba Chula

Diário de gravação do documentário

Procuramos não utilizar iluminação artificial nas gravações, já que foram na sua totalidade feitas durante a parte do dia. Foram utilizados como locações tanto ambientes externos quanto internos e, nestes casos, em ambientes mais escuros buscamos solucionar o problema da luminosidade com a abertura de janelas, portas e até mesmo utilizando rebatedores de luz. Quanto à escolha das locações se deu principalmente pela proximidade das pessoas envolvidas com o espaço de vivência ou mesmo locais nos quais tinham uma relação maior; em relação a captura de áudio, foi feita separadamente em gravador digital sincronizado com o time code da câmera. Antes mesmo de realizarmos o trabalho na prática, já havíamos definido, no caso diretor e fotógrafo, a metodologia que seria utilizada para as gravações. Em nosso caso, utilizamos quase que em sua totalidade a câmera na mão e fazendo o uso de planos gerais, planos médios, planos de detalhe (close-up), contra planos, plongée, contra-plongée, travellings.

(Por Marcelo Rabelo)

Seleção dos aprendizes sambadores

Na seleção dos quatro assistentes sambadores, ouvimos a direção da ASSEBA e concordamos em selecionar inclusive dois lideres – Rosildo Moreira do Rosário, diretor da ASSEBA , e Fernando Santana , diretor e produtor do grupo Samba Chula de São Braz – que ,apesar da experiência acumulada, alegaram que  precisavam aprender mais com projetos profissionais de pesquisa e produção cultural. Uma outra assistente Ana Lucia Francisca de Anunciação foi selecionada porque é filha do Mestre Quadrado, uma mulher muito engajada na cultura regional da Ilha e com vontade e garra para aprender as funções de produtora e liderança, sem ter tido oportunidade de exercê-las. Paulo de Almeida Santos foi o selecionado na região do Semi-árido, pois o conhecemos através do trabalho com Bule-Bule nesta região e se revelou como jovem líder da comunidade local, demonstrando muito conhecimento e interesse pela cultura e um poder de agregação e articulação muito grande.

(Por Katharina Dohring).

Viola Machete: de Portugal para o Brasil colônia.

O machete é um tipo de viola de 10 cordas, dispostas no corpo do instrumento em 5 duplas de cordas, tal como as violas conhecidas em todo o Brasil como “violas caipiras”. Possui tamanho bem menor e timbre bem mais agudo e “brilhante” do que o violão, p. ex. Estes instrumentos de origem portuguesa chegaram ao Brasil durante o período colonial e logo se disseminaram pelo país, vindo a se tornar um dos instrumentos de cordas mais utilizados na música brasileira. O machete foi assimilado também pelos africanos trazidos para a região do Recôncavo Baiano, e acabou sendo incorporado às suas tradições musicais de modo tão peculiar que pode-se dizer que estes “africanizaram” a antiga maneira “portuguesa” de tocar a viola. Uma das tradições musicais em que o machete tem importância fundamental é no Samba de Viola e no Samba Chula, entre outras variações do Samba de Roda.

(Por Cássio Nobre)